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Uma investigação detalhada do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) resultou na prisão preventiva de um homem na manhã desta sexta-feira (29), em Teresina. Ele é suspeito de gravar, armazenar e comercializar vídeos de relações sexuais com diversas mulheres sem o consentimento delas. O investigado utilizava perfis e automatizações (“bots”) no aplicativo Telegram para vender o material pelo valor de R$ 75.
A ofensiva, batizada de Operação “Lente Oculta”, cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra o alvo de iniciais J.C. da S. No endereço dele, os policiais encontraram e apreenderam inúmeras bebidas alcoólicas. De acordo com a nota emitida pelo DRCC, as ações do suspeito evidenciavam uma “inequívoca habitualidade delitiva para obtenção de vantagem econômica”.
Exposição contínua e fotos de redes sociais
As investigações policiais apontam que os registros abusivos vinham sendo feitos pelo homem há mais de 10 anos. Para piorar a situação e expor ainda mais as mulheres, o suspeito recolhia fotos atuais das redes sociais públicas das vítimas e as divulgava junto aos vídeos íntimos nos grupos de venda.
A polícia descobriu que, mesmo quando os links e contas originais da comercialização eram derrubados, o criminoso criava novos canais rapidamente para continuar lucrando com a intimidade alheia. Entre os materiais comercializados ilegalmente, constam inclusive casos envolvendo menores de idade.
Encorajamento e denúncias
O caso começou a vir à tona no dia 21 de maio deste ano, quando as primeiras vítimas foram espontaneamente até o departamento denunciar a situação. A partir daí, ao descobrirem que suas imagens estavam circulando no Telegram, outras mulheres se sentiram encorajadas e também procuraram o DRCC.
A delegacia especializada reforça que a venda submetia as vítimas a uma humilhação profunda, exposição contínua e revitimização, e acredita que o número de mulheres afetadas pode ser ainda maior.
“A orientação é que possíveis outras vítimas que não denunciaram por constrangimento ou temor procurem imediatamente a delegacia especializada. Recomenda-se preservar todas as evidências digitais disponíveis, como links e relatórios técnicos de evidências, e buscar o Departamento para registro da ocorrência”, alertou a nota do DRCC.
As autoridades relembram que tanto a divulgação quanto a compra de conteúdos íntimos sem autorização configuram crimes graves.