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Uma megaoperação interestadual deflagrada na manhã desta terça-feira (30) desarticulou o braço financeiro de uma facção criminosa com forte atuação no Norte do Piauí. A 8ª fase da operação, coordenada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), cumpriu simultaneamente 68 mandados judiciais no Piauí, Ceará e Rio de Janeiro. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 50 milhões em bens e ativos dos investigados.
A Conexão com a Rocinha e Líderes Presos
As investigações, iniciadas em 2024, revelaram que a célula criminosa sediada no município de Pedro II (PI) respondia diretamente à cúpula da facção instalada na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro.
O topo da pirâmide era comandado por J.R.S.R., o “Carioca” ou “Canindé”, que coordenava o esquema em território fluminense. Em Pedro II, a chefia local ficava a cargo de A.I.N.S. e de D.U.N., o “Tapioca”. Já as execuções e assassinatos eram decretados a um comparsa vindo do Ceará, A.G.G.S., o “Negão”. Todos os líderes já se encontram isolados no sistema penitenciário piauiense.
Logística de Fuga de Mossoró e Tribunais do Crime
Entre os novos alvos capturados nesta terça-feira está um criminoso apontado como peça-chave no apoio logístico à histórica fuga da Penitenciária Federal de Mossoró (RN), ocorrida em 2024.
Ao longo das fases anteriores, a força-tarefa já havia elucidado 13 homicídios e efetuado 42 prisões. Entre os crimes desvendados estão dois “tribunais do crime” que chocaram a região de Pedro II: a execução da adolescente Giovanna Maria de Oliveira, de 14 anos, e o assassinato de Danilo Soares, encontrado em uma cova rasa na zona rural. O executor confessou que matava em troca de drogas, pagamento de aluguéis e mantimentos.
Foco no Dinheiro do Tráfico
Esta 8ª fase focou exclusivamente em sufocar o patrimônio da organização. Os R$ 50 milhões bloqueados eram ocultados por meio de sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro vindos do tráfico e de extorsões.
Sufocamento Patrimonial: “Atingimos diretamente o núcleo financeiro da organização criminosa. Nosso objetivo é sufocar a capacidade financeira deles, responsabilizar todos e impedir que o dinheiro do crime continue fortalecendo essa estrutura”, pontuou o coordenador do DRACO, delegado Charles Pessoa.
Mobilização Policial
A operação mobilizou um forte aparato de segurança, incluindo a Delegacia de Pedro II, a Superintendência de Operações Integradas (SOI), o Canil da FEISP, inteligências policiais, diversas delegacias seccionais do interior e batalhões de elite da Polícia Militar, como o BEPI e o policiamento aéreo (BOPAER).